COLUNISTAS, CONFEITARIA, UM TANTO DE TUDO

5 tendências para uma nova confeitaria

29 de novembro de 2018

| Menos é mais | 

Todos sabemos que nossa relação com o açúcar vai mal. Assim como com o glúten e com a manteiga. Ou seja, com todos os principais ingredientes da confeitaria. Logo, não adianta demonizar e se desesperar. É preciso parar e pensar.

Antes mesmo de querer diminuir a quantidade de açúcar nas suas receitas, ou de elimina-lo totalmente, ou (pior) trocar gato por lebre (no caso refinado por demerara) PARE! E pegue no bumbum…

Brincadeira! Pare e pense!!! O que é o açúcar? Por que você usa e na quantidade que usa? Pesquisa, vai atrás. Conheça o produto. Tenha uma relação intima com ele e então decida o caminho que quer escolher. O caminho que VOCÊ quer escolher.

Em excesso até água faz mal. Acredite, faz sim. Por isso, sem demagogias. Vamos pensar e não ir no embalo da onda… Olha a onda!

| imagem rawpixel |

 

| Mais frutas por favor! | 

Uma diversidade como a nossa, em cores, sabores e texturas precisa ser melhor explorada. E não, não me venha com a desculpa que o público prefere morango e framboesa. Coisas bem feitas, são coisas bem feitas e que atraem o público.

Já está mais do que na hora de compreender a potência dos nossos ingredientes, não é mesmo?

| foto Cristiano Albano para Compartir 2018 |

 

| Controle seu chocolate! | 

Um doce é um produto fresco. O brigadeiro, por exemplo, precisa ser enrolado no momento da degustação, isso faz uma diferença tremenda! O cannolo recheado milésimos de segundo antes da mordida fatal, senão, perde textura! Tamanho frescor também está nos ingredientes, e isso faz toda a diferença em uma confeitaria mais leve e saborosa!

O chocolate não está longe disso. Compreender melhor a essência do seu próprio chocolate através do controle e procedência das sementes de cacau e das mãos que colheram esse tesouro, o torna único em um mundo cheio de sabores iguais.

Saiba mais 

 

| Pensar mais e reproduzir menos |

Foi-se o tempo (graças a todos os deuses!) em que confeitaria se baseava em reprodução.

Com o advento da internet isso acabou formando o que eu chamo de “confeiteiro de receita”. Basta uma rápida pesquisa pela atmosfera cibernética para que, em poucos cliques, qualquer um se torne um exímio confeiteiro.

Para que nossa confeitaria se desenvolva como precisa (e deve) é preciso ir além! É preciso estudar, se aprofundar e estudar, estudar, estudar. E estudar, estudar, estudar… E estudar! Mais importante ainda, se abrir, compartilhar. Chega dessa monopolização de segredinhos de receitas fechadas a 7 chaves do caderninho capenga da sua avó. Você pode descobrir novos caminhos e tomar suas decisões não mais baseadas em apenas algumas quantidades de ingredientes.

Compartilhar é a melhor maneira para se inspirar. Já disse né?

| imagem Will Myers |

 

| Construir o nosso, com o nosso! |

Foi necessário o mercado asiático dar um pouco de atenção para o Cupuaçu para ele cair nas graças brasileiras. Daí acho que percebemos que temos um pouquinho, assim bem grande, de produtos maravilhosos em nossas terras.

Recentemente descobrimos uma baunilha gigante de poder aromático enorme: a baunilha do cerrado. Fico imaginando o que não se esconde pelas nossas terras. E ao mesmo tempo temo pela ganância de outros. Mas o importante é saber que podemos, e devemos, trabalhar melhor com o que encontramos aqui, no Brasil.

Chega de ficar olhando com tanta admiração pro amiguinho da gringa e desejando que por aqui também seja possível extrair maple, por exemplo! Vamos usar nossos meles maravilhosos das nossas poderosas meliponas, extravasar com a nossa baunilha esfregando na cara do mundo todo o quanto somos capazes de seguir nosso próprio caminho, juntos. Sempre.

Bem como disse Paul Bocuse “La jabuticaba n´est pas pour le bec de tout le monde. Extraordinaire...” (“A jabuticaba não é para o bico de todo mundo. Extraordinária”)

| Castanha do Pará e Cumaru |

Que tal aprender mais?