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4 motivos para conhecer o Fel em São Paulo

21 de novembro de 2018

Estava deitada na cama olhando fixamente o horizonte de São Paulo, ouvindo o pulsar da cidade. Apesar de estar no 32° andar do edifício Copan tudo parecia acontecer dentro do meu apartamento. Uma derrapada, uma buzina seguida de um xingamento. Um “tuntistun” de uma festa que acontecia próxima dali. Um karaokê desafinado, um brinde. Um beijo, um coração partido… Tudo era possível ouvir ali.

Com uma vontade súbita de viver a cidade com a intensidade que ela se mostrava, mas sem saber aonde ir, calcei os chinelos e fui até o mercado. No caminho vi um casal bem vestido entrando no prédio do Circolo Italiano, prontos para um jantar dançante no Terraço Itália enquanto um mendigo pedia um prato de comida, esnobado.

Vi um grupo de jovens animados com suas cervejas em punho correndo para a fila da Tokyo. Alguns gringos com suas máquinas penduradas no pescoço admirando uma São Paulo que nunca dorme. Entrei no mercado, comprei meu iogurte e sai. No momento de retornar decidi voltar pela entrada do bloco A do Copan, e olhar o movimento no restaurante Orfeu que tem uma baladinha no andar superior. Sorri. Gosto de ver gente se divertir, uma cidade que aparente ser feliz.

Mais adiante observei um lugar sem placa com uma moça sentada na porta. Espiei e gostei do que vi. A hostess me explicou o que era e eu, sem estar nem um pouco sem graça pela vestimenta, perguntei se podia entrar com as sacolas.

A princípio o bar estava vazio, o que me deu a chance de conversar com as bartenders e observar a casa ganhar vida, pouco a pouco.

O Fel é um bar escuro e acolhedor aos pés do Copan, que serve coquetéis de outrora (nada de cerveja e vinho por aqui) com músicas tristes e que atende apenas 25 clientes por vez. O bar é comandado por Michelly Rossi (ex-A Casa do Porco e Frank ) e tem como essência resgatar drinks esquecidos, como o Adonis, criado em 1886 no bar do hotel Waldorf-Astoria, e leva Jerez, vermute e bitter de laranja. Ou o Chicago com rum jamaicano, vinho do Porto, limão e clara. Imperdível! Coquetéis que perderam o estrelato e ganham vida (e melhoras) pela equipe (formada só por mulheres) do Fel.

Para poder falar o que ainda ninguém falou sobre o Fel, dou 4 (honestamente só precisava de 1) motivos para convencer você a ir ao Centro tomar um drink e viver toda a atmosfera de 50 anos atrás!

| #1 Você pode ir vestidx como quiser | 

Claro que chinelo, camiseta furada e bermudão de praia não fazem muito o estilo de quem vai sair para tomar um drink de 35 reais, mas não é isso que vai impedir você de entrar no Fel. Vestido curto, saia rodada, calça jeans furada ou sapatênis – vá como você se sente bem. Sem regras, sem grilos. Está tudo bem!

 

Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí

Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati

Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão: sossega leão, sossega leão

 

| #2 Você pode ir sozinha, e tudo bem | 

Se você é mulher e quer ir a um bar sozinha saiba que aqui não tem o bartender de camisa coladinha enrolada no bíceps que vai ficar jogando xaveco ou perguntando: “o que uma mulher tão linda faz sozinha bebendo?”. Aliás nem quem frequenta o bar vai ficar te encarando até o nível desconfortável. Mas se uma paquera rolar… se joga!

O Fel é um bar para você ser aquilo que é, fazer o que te realiza e se sente bem. Tanto é verdade que o drink Dandara, representa muito bem a luta das mulheres por serem e estarem onde querem, como querem e com quem querem. Por isso eu indico: vá toda Dandara, na atitude e no drink!!!

| #3 Você pode não entender nada de bebida, e tudo bem, também! | 

A equipe da Michely é maravilhosa e indicará ótimos drinks (estando ou não na carta).  Além disso elas dão uma aula de “o que é o que” sem aquele jogo de fazer você parecer umx idiotx por estar em um bar sem saber o que é um Calvados, por exemplo.

| #4 Você pode ir, só por ir | 

Você pode ir porque está triste. Você pode ir porque está feliz. Você pode ir para comemorar. Você pode convidar alguém para ir e saber se  te acha assim… Um moreno alto, bonito e sensual. E se tomar um fora, saiba que como qualquer boteco o Fel também será democrático com as suas dores. Mas aqui definitivamente não é lugar para uma cervejinha!

 

 

Que tal aprender mais?