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Sobrou panetone?!

3 de setembro de 2017

| por Lena Mattar | 

Todos os anos, lá por meados de novembro, meu pai, clínico geral, começava a receber presentes de seus pacientes: vinhos, caixas de chocolates, cestas de produtos gastronômicos importados e…panetones. Muitos Panetones e todas as suas possíveis variações. Para mim, criança desde sempre ligada ao cozinhar e ao comer, achava aquela época do ano um momento mágico e sempre pedia para que minha mãe me deixasse abrir tais cestas e caixas de presentes.

Anos depois, ainda mais entusiasta do assunto – tendo até me tornado profissional no tal universo gastronômico – me vi ganhando meus próprios panetones (e chocotones) de final de ano. Porém, vivendo apenas em dois aqui em casa, o fim do ano chegava, mas o do panetone não. Foi então que num dia quente de verão, ainda em janeiro, me peguei com um belo chocotone com raspas de laranja dando sopa na cozinha. Estava inteiro e no horizonte não havia sinal de que seria comido. Mas “desperdiçar comida é pecado!”, diria minha mãe. Assim, resolvi buscar alguma ideia dentro do meu humilde repertório de entusiasta de cozinha. Por sorte, dias antes, havia visto um vídeo sobre o tiramisù do Del Posto, badalado restaurante do chef Mario Batali, em Nova Iorque. E pensei com meus botões “e se eu substituir o biscoito pelo chocotone? Eu não gosto muito desse biscoito mesmo…”. Foi começar as preparar os ingredientes que me deu um outro estalo “e se eu substituísse o rum pelo licor de tangerina que está freezer? Afinal, o chocotone leva laranja e cítricos deve ir bem com cítrico!”.

Dito e feito: o tal tiramisù ficou muito, muito bom! O panetone deu mais consistência que o biscoito e absorveu mais café enquanto o licor de tangerina casou perfeitamente bem com a laranja. Os demais ingredientes eram os tradicionais: açúcar, ovos caipiras, queijo mascarpone italianíssmo (e igualmente caríssimo!) e cacau em pó. Com isso, passei no teste que nós, cozinheiros amadores, usamos para medir o resultado de nossas empreitadas: quem comeu repetiu. Felizmente, o que era doce acabou-se.

Naquele momento nem me ocorreu que aquela não era nenhuma grande ideia e que tiramisù de panetone já estava sendo feito por ai (como vi posteriormente que, anos antes, até Ana Maria Braga já estava ensinando em seu programa de televisão). Mas na hora me pareceu uma grande ideia. E apesar da ingenuidade do momento, sigo orgulhosa fazendo meu tiramisù de chocotone e licor de tangerina. Até virou uma espécie de ritual de final de ano aqui em casa.

 

Receita

2 xícaras (chá) de mascarpone (vale a pena investir em um italiano de qualidade)
½ xícara (chá) de açúcar
4 gemas de ovos caipiras grandes
3 colheres (sopa) de Mandarine Napoléon ou outro licor de laranja/tangerina de sua preferência
2 colheres (sopa) de creme de leite fresco
1 pitada de sal marinho
½ xícara (chá) de café espresso ou coado, porém bem concentrado, e em temperatura ambiente.
Meio chocotone (de preferencia com raspas de laranja, como o produzido pela pizzaria Bráz) fatiado
4 colheres (sopa) de cacau em pó

1. Usando uma batedeira elétrica em baixa velocidade, bata o mascarpone, o açúcar, as gemas, o licor de tangerina, o creme de leite fresco e o sal. Aos poucos aumente a velocidade e bata até obter um creme homogêneo que forme picos. Cuidado para não bater demais.

2. Despeje o café em uma forma por onde possa passar as fatias de chocotone.

3. Escolha uma travessa que tenha capacidade para duas camadas de tiramisù e comece espalhando apenas um pouco do creme na base. Em seguida pegue algumas fatias de chocotone e passe pelo café, procurando umedecê-las bem sem deixar que se desfaçam. Coloque-as na travessa e cubra com metade do creme. Repita a operação com as demais fatias de chocotone, cobrindo-as com o restante do creme.

4. Leve a geladeira por pelo menos 2 horas. Na hora de servir, polvilhe o cacau por cima.

*imagem: food.it

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